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Depois das eleições, o que as empresas devem revisar no planejamento de 2027?

28/10/2026

Com o fim das eleições, muitas empresas avaliam se devem investir, cortar despesas ou aguardar os próximos passos da economia. A decisão, porém, depende de fatores que vão além do resultado das urnas, como juros, inflação, crédito, consumo e contas públicas.

No Boletim Focus divulgado em 26 de outubro, a mediana do mercado previa crescimento de 1,31% do PIB em 2027, inflação de 4,34% e Selic de 11,75% ao fim do ano. Já a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda projetou crescimento de 2,3% em 2027. A diferença entre as previsões mostra que o empresário não deve basear o planejamento em uma única estimativa.

Juros e crédito: vale a pena adiar investimentos?

A taxa de juros afeta o custo de empréstimos, o financiamento de máquinas e equipamentos e o capital de giro, o que exige análise cuidadosa do retorno de cada investimento. Uma eventual queda da Selic não garante que todas as linhas de crédito fiquem mais baratas na mesma proporção ou de imediato, já que os bancos consideram risco, garantias, prazo e mercado.

Antes de contratar crédito, convém verificar se o investimento gera receita ou reduz custos de forma mensurável, se a empresa consegue pagar as parcelas caso as vendas fiquem abaixo do previsto, se há caixa para os primeiros meses e se vale negociar ou buscar outras alternativas. No caso de uma indústria, por exemplo, a compra de uma máquina deve ser comparada à economia que ela proporcionará — esperar juros menores indefinidamente pode significar perder uma oportunidade.

Orçamento de 2027 com vários cenários

Em vez de uma única previsão de vendas, a revisão do orçamento deve considerar três cenários. O favorável contempla aumento de vendas e melhora gradual do crédito; o intermediário projeta crescimento moderado com parte das pressões de custo mantidas; e o conservador avalia quedas de receita, atrasos de clientes ou aumento de despesas.

A comparação entre eles indica quanto caixa manter e quais despesas podem ser ajustadas. Empresas de serviços podem contratar somente ao atingir determinado volume de contratos, e o comércio pode limitar a reposição de estoque conforme o ritmo das vendas. O acompanhamento mensal deve incluir faturamento, margem de lucro, inadimplência, despesas fixas e saldo de caixa.

Custos e preços: atenção às margens

Inflação e condições econômicas alteram preços de insumos, energia, transporte, aluguel e serviços. Sem acompanhamento, a empresa pode vender mais e ainda assim ver a margem encolher. A recomendação é revisar contratos com fornecedores, identificar despesas em alta e checar se os preços de venda cobrem custos e a margem desejada.

Aumentar preços não deve ser automático: antes, é preciso analisar concorrência, comportamento dos clientes, custo de cada produto ou serviço e possibilidades de ganho de produtividade. Em certos casos, renegociar contratos e reduzir desperdícios traz resultado melhor do que repassar todos os aumentos. O prazo entre pagar fornecedores e receber dos clientes também precisa ser monitorado, pois o desembolso antecipado gera dificuldades mesmo em operações lucrativas.

Reforma Tributária exige preparação desde já

2026 é período de teste para a CBS e o IBS. A partir de 2027, avança a cobrança da CBS e a extinção do PIS e da Cofins, conforme as regras aplicáveis. As empresas precisam revisar processos fiscais e sistemas de emissão de documentos, além de avaliar efeitos sobre preços, contratos, créditos e fluxo de caixa.

O impacto varia conforme atividade, regime tributário, perfil de clientes e fornecedores e regras específicas de cada operação, de modo que não basta analisar uma alíquota isolada. O contador pode mapear operações, sugerir ajustes em sistemas, simular efeitos sobre custos e margens e verificar se as notas fiscais estão corretas. Deixar a preparação para a última hora aumenta o risco de erros, retrabalho e decisões baseadas em cálculos incompletos.

O que revisar com o contador

O planejamento de 2027 amplia o papel do contador na gestão, para além das obrigações contábeis e fiscais. Os principais pontos de revisão são fluxo de caixa, endividamento, custos e margens, orçamento, adequações da Reforma Tributária e simulação de investimentos — análises que ajudam a identificar problemas antes que afetem a operação.

O resultado das eleições integra o contexto das expectativas econômicas, mas não define sozinho o desempenho de cada negócio: demanda, concorrência, produtividade, gestão financeira e capacidade de adaptação também pesam. O objetivo do planejamento não é prever todos os movimentos da economia, e sim preparar a empresa para reagir a eles.


Fonte: Com informações de Jornal Contábil

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